As cidades intermediárias e o seu potencial de desenvolvimento econômico e sustentável

Recentemente, li um artigo da arquiteta Renata Herculano, no Linkedin, que me chamou a atenção. A profissional aborda a importância das cidades intermediárias, que, de acordo com o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), são aquelas que reúnem entre 100 e 500 mil habitantes, atuando como polos regionais, estruturando redes de comércio, saúde, ensino e serviços públicos para dezenas de municípios do entorno.

Eu também acredito nesse estímulo das cidades médias como um desenvolvimento descentralizado. Elas desempenham um papel estratégico na organização do território, funcionando como uma conexão regional e como plataformas de desenvolvimento econômico, social e ambiental.

Renata Herculano cita a sua trajetória por cidades como Itaúna, no centro-oeste mineiro, Belo Horizonte e Montes Claros, polo regional no norte do estado que tem mais de 400 mil habitantes, além de uma rotina urbana completamente diferente da capital e da cidade onde ela nasceu.

Toda essa experiência trouxe para a arquiteta a reflexão de que as cidades intermediárias têm “densidade suficiente para inovar e dimensão humana suficiente para preservar laços. Onde a vida urbana pulsa com menos velocidade, mas não com menos complexidade”, ressaltou a especialista (confira aqui o artigo completo). Concordo com ela e, por isso, resolvi abordar o assunto aqui no blog.

Nos mais de 25 anos como CEO da Urban Systems, identificando oportunidades e minimizando riscos de investimento em projetos de base imobiliária em mais de 900 cidades brasileiras, posso dizer com propriedade que as cidades intermediárias têm grande potencial para chegarem a “cidades grandes”, mas elas não podem cometer os mesmos erros das “grandes”. Para isso, é preciso ter um bom planejamento estratégico que extrapole governos e disputas políticas. Por meio desta poderosa ferramenta de trabalho, as cidades intermediárias desenvolvem e ampliam suas vocações e identidades específicas, como o turismo ou a indústria farmacêutica, concentrando conteúdo teórico e retendo talentos para gerar emprego e renda de forma perene.

E isso só é possível por meio das parcerias público-privadas. São elas que colocam em prática os planos estratégicos, com a identificação de eixos estruturantes que atraiam atividades complementares, promovendo o desenvolvimento. Exemplos como: Bauru, Botucatu, Araraquara e Barretos, cidades intermediárias de São Paulo, têm potencial alinhado a temáticas específicas. Ou seja, já estão no caminho, mas ainda necessitam de um planejamento mais integrado para fortalecer sua vocação e seus potenciais de forma a ampliar seu desenvolvimento sustentável.

Turismo é um ponto forte das cidades intermediárias. Apesar dos recursos naturais fartos destes locais, é essencial ter acessibilidade, uma boa infraestrutura aeroportuária e um forte marketing para que os destinos turísticos se desenvolvam de fato. Aqui, trago outro exemplo: o Plano Estratégico de Estruturação de Destinos Turísticos e Atração de Investimentos para Sergipe, que estamos desenvolvendo em parceria com a Agência Desenvolve-SE e da Secretaria de Estado de Turismo (Setur). O estudo mapeia o mercado do turismo e identifica ações públicas e privadas que impulsionam o setor. Também avalia a oferta turística, tanto em patrimônios naturais e culturais quanto em serviços. É uma iniciativa fundamental que ajudará a colocar as cidades em evidência.

Concluo então que, para garantir um desenvolvimento econômico e sustentável e evitar o êxodo que a Renata Herculano tão bem citou em seu artigo, é preciso estimular a descentralização, investir na conectividade via aeroportos, no planejamento urbano com qualidade de vida e no estímulo econômico baseado em atributos locais.

As cidades intermediárias devem crescer de forma ordenada, evitando desequilíbrios que as transformem em cidades-dormitório. Elas são peças-chave para o futuro do desenvolvimento urbano sustentável, especialmente em países com extensos territórios e grandes desigualdades regionais, como o nosso Brasil.

A Urban Systems apoia e auxilia prefeituras e iniciativa privada por meio de uma consultoria para elaboração de um Plano Estratégico com enfoque no desenvolvimento sustentável e inteligente de cidades e regiões. Conheça as soluções da Urban Systems para o desenvolvimento urbano aqui!

Conteúdo elaborado por Thomaz Assumpção, CEO da Urban Systems.

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