Gestão de stakeholders: da redução de riscos à valorização do ativo imobiliário
Webinar da ADIT Brasil reuniu especialistas da Urban Systems, da Visões da Terra e da Global Governance para debater estratégias estruturadas de engajamento em projetos urbanos
Uma reflexão aprofundada sobre como a gestão estruturada de stakeholders (partes interessadas que influenciam ou são impactadas por projetos) deixou de ser um diferencial para se tornar um elemento essencial à viabilidade, legitimidade social e valorização de empreendimentos de longo prazo. Essa foi a proposta do webinar que a ADIT Brasil (Associação para o Desenvolvimento Imobiliário e Turístico do Brasil) promoveu no dia 24 de fevereiro, reunindo três especialistas com ampla experiência no assunto: Paulo Takito, sócio-diretor da Urban Systems, consultoria de inteligência de mercado e planejamento urbano; Oriana Rey, sócia-diretora da Visões da Terra, empresa focada em soluções socioambientais; e Eduardo Eichenberg, fundador e diretor da Global Governance, assessoria e gestão especializada de comunidades planejadas.
Por que os stakeholders podem definir o sucesso ou o fracasso de um projeto? Provocou Takito. “O empreendedor tem diversas frentes para atuar, entre elas projeto, licenciamento, comercialização, construção, além de outra que torna o desafio ainda mais complexo: a gestão de stakeholders”, afirmou o executivo
Segundo ele, raramente os entraves que surgem ao longo de um desenvolvimento urbano estão ligados apenas a questões técnicas. “Na maioria das vezes, os problemas decorrem de conflitos, interferências externas e relações que não foram bem conduzidas. Quando negligenciados, os stakeholders podem se tornar uma pedra no sapato do empreendedor, gerando atrasos, imagem negativa, impacto na valorização do ativo e no ritmo de vendas”, alertou Takito.
A sócia-diretora da Visões da Terra, Oriana Rey, explicou que o conceito de stakeholder é amplo e inclui todos os atores envolvidos ao longo da jornada do projeto, que pode durar de 15 a 20 anos, entre aquisição da área, aprovações, obras e ocupação plena. Entre os principais estão o poder público e os órgãos licenciadores; investidores; desenvolvedores e equipes técnicas; clientes e usuários finais; comunidade do entorno; sociedade civil organizada; imprensa e ONGs. “Os atores mudam ao longo do tempo e são muitos. A pergunta é: como organizar tudo isso? Precisamos de uma visão sistemática para reduzir riscos e, acima de tudo, potencializar valor”, destacou Oriana.

Redução de riscos e construção de valor
Para Eduardo Eichenberg, fundador e diretor da Global Governance, o primeiro objetivo da gestão de stakeholders é claro: reduzir risco. “O desenvolvimento de um empreendimento imobiliário é um processo complexo que começa na análise de viabilidade e segue por aprovações, construção, vendas, entrega, gestão e manutenção. Em paralelo a tudo isso, deve haver um esforço contínuo de gestão de stakeholders para alinhar expectativas e preocupações”, observou Eichenberg.
Ele disse também que resistências podem surgir por medo, insegurança, interesses particulares ou desinformação. “Se subestimadas, questões como dúvidas, ameaças, difamação ou mobilizações contrárias podem inviabilizar o projeto ou comprometer a reputação do desenvolvedor,” pontuou Eichenberg.
Eduardo apresentou pilares estratégicos para uma boa gestão:
▪️Mapeamento e classificação dos stakeholders;
▪️Análise de interesses e possíveis reações;
▪️Estratégia de comunicação preventiva;
▪️Engajamento contínuo e diálogo estruturado;
▪️Elaboração de benefícios compartilhados;
▪️Gestão realista de expectativas;
▪️Monitoramento constante e ajustes.
“O que defendemos é técnica e método. Boa vontade não basta. É preciso planejamento estruturado para minimizar resistências e maximizar apoio”, afirmou o diretor.

Quando o diálogo transforma opositores em aliados
O webinar trouxe ainda cases práticos que ilustraram como o mapeamento correto pode transformar conflitos em oportunidades. Paulo Takito compartilhou o caso de um grande desenvolvimento na periferia de Porto Alegre, inicialmente cercado por estigmas sociais. Ao identificar que o bairro abrigava a maior escola estadual da região, carente de infraestrutura, o projeto apoiou melhorias na instituição. O resultado foi uma mudança de percepção da comunidade, que passou a defender o empreendimento. “Foram ações pontuais, identificadas a partir da escuta. Muitas vezes, são medidas simples que geram enorme impacto”, enfatizou Takito.
Oriana Rey, sócia-diretora da Visões da Terra, também relatou experiências emblemáticas. De acordo com ela, em um empreendimento urbano inserido na malha de uma cidade, um vizinho declarou, na primeira reunião, que poderia embargar a obra. “Com diálogo estruturado, escuta ativa e transparência, construímos confiança. Ao final, ele se tornou investidor do projeto”, contou a sócia. Já em Florianópolis, diante da necessidade de demolir imóveis históricos para um novo empreendimento, a Visões da Terra sugeriu a estruturação de um espaço temporário que funcionasse simultaneamente como estande de vendas e abrigo para lojistas tradicionais. “Preservamos a identidade local, apoiamos os empreendedores e antecipamos a experiência do novo empreendimento para futuros clientes,” destacou Oriana.
Outro exemplo foi o Programa “Mais Vida, Menos Lixo”, desenvolvido a partir de um diagnóstico territorial no Preá (CE) para o Grupo Carnaúba. Em um ano, a comunidade piloto alcançou índices de reciclagem superiores ao dobro da média nacional, e a iniciativa foi incorporada como política pública municipal. “Um diagnóstico técnico aliado a uma estratégia de engajamento pode gerar impacto ambiental, social, reputacional e econômico, além de contribuir para a valorização sustentável do território”, afirmou Oriana.
Ao longo do webinar, ficou evidente que a gestão eficaz de stakeholders exige uma abordagem integrada. Inteligência de mercado, diagnóstico territorial, estruturação de governança e relacionamento institucional precisam caminhar juntos. Em um cenário em que os projetos se tornam mais complexos e os territórios mais atentos, contar com inteligência, método e gestão estruturada de stakeholders não é apenas uma vantagem competitiva; é um diferencial decisivo para transformar boas ideias em bairros desejados, sustentáveis e duradouros.

Conheça mais sobre as empresas
A Urban Systems é uma consultoria de inteligência de mercado e planejamento urbano, sendo uma referência nacional em análises de risco, dimensionamento de demanda e viabilidade mercadológica para projetos de base imobiliária e urbana. O objetivo é reduzir riscos desde a concepção do projeto e estruturar soluções que atendam mercado, investidores e as cidades, contribuindo para a valorização do ativo. Saiba mais sobre a Urban Systems aqui.
A Visões da Terra é focada em soluções socioambientais, apoiando empresas e empreendimentos na construção de relações sólidas e estruturadas com seus stakeholders, nos processos de implantação e desenvolvimento em novos territórios, nas etapas finais de aprovação e em projetos já em operação. A partir de um diagnóstico territorial aprofundado, é elaborado um plano de ação alinhado à estratégia do negócio e às demandas do local, com alternativas para mitigar e compensar impactos negativos e potencializar os positivos. Saiba mais sobre a Visões da Terra aqui.
A Global Governance, assessoria e gestão especializada de comunidades planejadas, oferece soluções integradas de estruturação, governança, gestão e relacionamento que impactam positivamente todos os stakeholders do empreendimento. Entre as iniciativas estão gestão do pré-venda e formação da futura comunidade; treinamento de corretores; fortalecimento da marca e valorização do ativo; previsibilidade operacional; proteção reputacional e sustentabilidade de longo prazo. O resultado é o alinhamento de interesses, redução de riscos e conflitos, valorização contínua do empreendimento e construção de comunidades mais organizadas, sustentáveis e economicamente fortes. Saiba mais sobre a Global Governance aqui.
Conteúdo elaborado pela redação Urban Systems.