Real Estate as a Service (REaaS) transforma o imóvel em experiência
Modelo que integra serviços, tecnologia e flexibilidade redefine a lógica do mercado imobiliário e impulsiona o aluguel
O mercado imobiliário brasileiro vive uma mudança estrutural que vai além de ciclos econômicos ou variações de demanda. Trata-se de uma transformação mais profunda em que há a transição do imóvel como produto para o imóvel como serviço. É nesse contexto que ganha força no país o conceito Real Estate as a Service (REaaS), tendência que já se consolida globalmente e começa a se expandir com mais consistência no Brasil.
O REaaS, ou “imobiliário como serviço”, parte de uma lógica já conhecida em outros setores, como o de tecnologia. Assim como no modelo de Software as a Service (SaaS), o cliente deixa de adquirir um ativo para acessar uma solução completa, baseada em uso, conveniência e experiência. No setor imobiliário, isso significa que o valor não está apenas na metragem, na localização ou no ativo físico em si, mas no conjunto de serviços, tecnologias e facilidades que acompanham o imóvel: gestão digital, manutenção, limpeza, espaços compartilhados, aplicativos e experiências que passam a fazer parte da proposta de valor.
Na opinião de Paulo Takito, sócio-diretor da Urban Systems, essa mudança reflete uma transformação cultural importante. “Estamos vendo uma transição clara da lógica da posse para a lógica do uso. O imóvel deixa de ser um fim em si mesmo e passa a ser um meio para oferecer conveniência, flexibilidade e qualidade de vida ao usuário”, explica Takito.
Segundo ele, um dos principais desdobramentos do REaaS está na evolução do modelo de locação. O contrato tradicional de três anos, com pouca flexibilidade e escassez de serviços agregados, dá lugar a soluções mais dinâmicas e completas. “Hoje, é possível encontrar imóveis disponíveis com mobiliário, eletrodomésticos, internet instalada e até serviços sob demanda incluídos no pacote. Em muitos casos, o usuário pode simplesmente entrar na unidade e começar a utilizá-la imediatamente, sem a necessidade de montagem ou contratação de serviços adicionais”, afirma Takito. Ou seja, há uma mudança significativa na forma de consumir o imóvel, com o aluguel passando a funcionar como uma assinatura, em que o cliente escolhe o nível de serviço que deseja e paga por essa experiência integrada.
Essa lógica, observa Takito, se conecta diretamente ao comportamento das novas gerações, mais habituadas a modelos de assinatura e menos interessadas na aquisição de bens de longo prazo. Plataformas como streaming e serviços sob demanda ajudaram a consolidar essa mentalidade que, agora, chega com força ao mercado imobiliário.

Flexibilidade e mobilidade como vetores de crescimento
Outro fator determinante para o avanço do REaaS é a crescente mobilidade das pessoas. O trabalho remoto, os projetos temporários e a dinâmica mais fluida do mercado de trabalho têm impulsionado a busca por soluções habitacionais mais flexíveis. Modelos de locação de curta e média duração, que ficam entre a estadia em hotel e o aluguel tradicional, ganham espaço ao permitir que o usuário permaneça em um imóvel por semanas ou meses, sem compromissos de longo prazo. “Existe uma demanda reprimida por flexibilidade. Durante muito tempo, o mercado ofereceu basicamente duas opções: contratos longos ou hospedagens temporárias. O REaaS surge justamente para preencher esse espaço intermediário”, diz Takito.
A consolidação do conceito também abre novas frentes de atuação para incorporadoras, investidores e operadores imobiliários. Empresas deixam de atuar apenas na venda ou na locação de ativos e passam a assumir o papel de gestoras de serviços e experiências. Isso se reflete no crescimento de modelos como coworkings, colivings, empreendimentos multifamily e residenciais com serviços integrados. Em todos esses casos, o foco está no uso eficiente do espaço aliado a conveniências que ampliam a experiência do usuário. “ O REaaS permite diversificar fontes de receita, incorporando serviços ao fluxo financeiro do empreendimento, o que pode aumentar a previsibilidade e a valorização dos ativos”, complementa o sócio-diretor da Urban Systems.
Segmentação e entendimento do público-alvo
De acordo com Takito, o sucesso dos projetos baseados em REaaS depende de um fator muito importante: o entendimento do público-alvo. Diferentes perfis demandam variados serviços, níveis de flexibilidade e formatos de ocupação.
Empreendimentos voltados para famílias, por exemplo, tendem a priorizar segurança, estabilidade e infraestrutura de lazer, enquanto modelos de curta permanência podem atender melhor profissionais em trânsito ou estudantes.
“Não existe uma solução única. O mercado precisa ser cada vez mais nichado, com produtos desenhados para públicos específicos. Misturar perfis com necessidades muito distintas pode comprometer a experiência e o desempenho do empreendimento”, alerta Takito.
Para ser assertivo no projeto, análises de comportamento e demanda são fundamentais. A Urban Systems tem acompanhado há mais de 25 anos essa evolução, desenvolvendo pesquisas que identificam lacunas e oportunidades no mercado imobiliário. Um exemplo é o estudo feito para a Brookfield Asset Management, que já investe de forma consistente no modelo de locação por serviço. Em 2017 a Urban Systems mapeou e dimensionou a enorme oportunidade de residenciais multifamily para a Brookfield iniciar seu planejamento neste segmento.
“Como esses empreendimentos têm características muito específicas, apoiamos o cliente na identificação do produto ideal, do preço correto e da localização mais adequada. Um residencial voltado para solteiros ou casais de média renda é completamente diferente de um multifamily de altíssimo padrão. São lógicas distintas, com demandas e expectativas próprias”, pontua Takito.

A definição desses projetos, conta o executivo, passa por uma análise aprofundada de variáveis urbanas e comportamentais. Aspectos como acesso ao transporte público, oferta de comércio, serviços e opções de lazer são determinantes para o sucesso do empreendimento. Ele lembra que levantamentos realizados em grandes centros, como São Paulo e Rio de Janeiro, já indicavam a existência de uma demanda significativa por modelos mais flexíveis de moradia, muito antes da popularização do conceito de REaaS no Brasil. Os estudos da Urban Systems também apontam o potencial de expansão do segmento multifamily, com empreendimentos inteiros dedicados à locação e operados de forma profissional, oferecendo serviços integrados para diferentes faixas de renda.
Para Takito, essa transformação é irreversível. “O futuro do mercado imobiliário está na integração entre espaço físico, tecnologia e serviços. Quem entender isso mais cedo terá uma vantagem competitiva importante nos próximos anos”, conclui o sócio diretor da Urban Systems.
Ao que tudo indica, a antiga máxima “location, location, location” está sendo substituída por uma nova equação: localização, dados e experiência, ou seja, uma combinação que redefine não apenas os empreendimentos, mas a forma como as pessoas vivem, trabalham e se relacionam com os espaços.
A Urban Systems está na vanguarda dos estudos de novos segmentos de mercado, com metodologias exclusivas para dimensionar a demanda nos mais diversos nichos de mercado. Conte com a Urban Systems para o sucesso de seu projeto!
Conteúdo elaborado pela redação Urban Systems.